18 janeiro, 2011

OBSERVANDO



" Estou na fase da observação. Observando o movimento das pessoas, da cidade, da família ( o que é muito importante), tentando me calar o máximo (difícil).
Percebi que desde que cheguei nessa cidade - Pedro de Toledo - venho incorporando as características da pessoas nativas daqui. E devo confessar que isso me incomoda um pouco, mesmo levando em conta o lado positivo (citarei mais adiante) , a falta de percepção do que é certo ou errado (sim para consertar o que está errado devemos fazer o certo, ou não ?) , dos direitos básicos de cada cidadão, das responsabilidades assumidas. São tantos os aspectos que fico preocupada com essa "incorporação".
As pessoas se acostumaram tanto com o jeitinho brasileiro por aqui, que já não sabem mais o que é certo ou errado. Ficaram reféns do próprio medo, ser honesto dá trabalho por aqui. Temos ainda , por falta de um veículo de comunicação acessível a todos, a tradição do Boca a Boca, quase sempre noticiando verdades distorcidas, e já me peguei caindo nessa - não devemos acreditar em tudo que ouvimos - principalmente em época de eleição. E olha que eles são implacáveis, por mais que você veja que é pau eles te convencem que é diamante lapidado, negam até o fim, sempre com aquela cara de pau.
O povo aqui é tão pacato que espera 4 anos para reivindicar um direito ou simplesmente para se manifestar, claro que sempre sem exageros, porque dependo de quem entrar pode complicar a vida dos mais exaltados. Aqueles que se destacam por sua rebeldia são elogiados às escondidas sempre com muito cuidado para que não venha a público a simpatia de quem o apoia ou elogia. São características que eu não quero incorporar.
Por outro lado temos uma cidade pequena onde a população é mais simpática , cumprimenta-se as pessoas com _ Bom dia !, ou simplesmente _ Dia ! _ o que não acontece nas regiões metropolitanas, não com essa singularidade. Ainda sentamos nas calçadas para sentir a brisa da tarde ou da noite sem medo, as crianças ainda brincam na rua até tarde, ali sentadas as Donas de Casa trocam receitas, dão conselhos, lembram, olhando os pequenos, do tempo em que eram meninas e brincavam de roda. E assim eu continuo observando."